Turismo de experiência: hospedagens que transformam a viagem em algo memorável

O isolamento social gerado pela pandemia da Covid-19 potencializou uma mudança no comportamento dos viajantes que transformou o setor hoteleiro brasileiro, segundo pesquisa do Sebrae realizada em parceria com o TRVL LAB. O estudo revela que 86% dos turistas nacionais consideram as experiências vividas durante a viagem como o aspecto mais importante de suas jornadas. 

A transformação fez com que as hospedagens deixassem de ser apenas locais para dormir e se tornassem protagonistas da experiência turística. O período pandêmico fortaleceu o ato de viajar como atividade exploratória focada em vivências autênticas, consolidando essa tendência em expansão mundial.

“Já faz tempo que o hotel deixou de ser só um lugar pra dormir. A lógica do ‘tanto faz onde ficar, porque vou passar o dia na rua’ ainda funciona para muita gente, mas há um movimento crescente que vai justamente na direção contrária”, explica a fundadora do blog Viaja que Passa, Fê Moro. Para ela, essa transformação representa uma mudança fundamental no perfil do viajante contemporâneo.

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Hospedagens reinventam conceitos para atender nova demanda

A indústria hoteleira tem respondido à transformação comportamental dos consumidores. Segundo dados do Ministério do Turismo, serviços turísticos que incorporam experiências registram valores entre 10% e 50% superiores aos tradicionais. 

O turismo de experiência já representa 60% do faturamento dos pequenos negócios do setor, conforme estudo do Sebrae, registrando crescimento anual de 30% e respondendo por 9% do Produto Interno Bruto nacional.

Estabelecimentos ao redor do mundo têm desenvolvido propostas que extrapolam as  comodidades convencionais. O Santa Tereza Hotel, localizado no Rio de Janeiro, exemplifica essa tendência ao oferecer experiências gastronômicas diferenciadas no restaurante Térèze, onde o chef utiliza plantas alimentícias não convencionais (PANCs) cultivadas no jardim do próprio hotel.

Na Sicília, na Itália, o Verdura Resort proporciona aos hóspedes a participação na colheita tradicional de azeitonas, incluindo desde a seleção dos frutos até a produção do azeite no lagar da propriedade. 

Na Tailândia, quem busca onde ficar em Bangkok encontra no Hotel Muse uma experiência singular: o Speakeasy Rooftop Bar oferece uma “biblioteca de gim” com mais de 40 variedades da bebida, criando coquetéis autorais nos andares 24 e 25 do edifício. 

Outras propostas incluem degustações exclusivas, como a oferecida pelo Four Seasons Hotel New York, onde hóspedes podem provar uísque de 55 anos da coleção Balvenie por US$ 5 mil.

O Hotel de Russie, em Roma, desenvolveu a experiência Avenue of Style, proporcionando acesso exclusivo aos bastidores de grifes como Fendi, Bottega Veneta e Valentino. Em Paris, o Hotel Molitor criou cinco tipos de massagens especializadas em parceria com atletas profissionais, incluindo tratamentos desenvolvidos com a nadadora Camille Lacourt e o tenista Julien Bennetau.

Natureza e cultura local ganham protagonismo

A pesquisa do Sebrae indica que 57% dos viajantes brasileiros demonstram interesse por passeios na natureza e ecoturismo, enquanto 67% buscam momentos de relaxamento. Essa demanda tem estimulado hospedagens a desenvolver experiências que valorizam o entorno natural e cultural.

Estabelecimentos em destinos como as ilhas Phi Phi Tailândia também integram essa tendência, oferecendo experiências que conectam os hóspedes com a natureza exuberante da região por meio de atividades personalizadas e imersivas.

Na Ilha de Vancouver, no Canadá, o Clayoquot Wilderness Lodge oferece desde atividades convencionais, como canoagem e pesca, até experiências premium, como voos de helicóptero para aventuras no topo das montanhas. A gerente geral Sarah Cruse descreve a experiência: “Quando você chega ao topo da montanha, você está falando com Deus”.

O Dorado Beach, em Porto Rico, desenvolveu atividades para hóspedes acompanhados de animais de estimação, incluindo excursões de caiaque com cães equipados com coletes salva-vidas.

Tecnologia e planejamento moldam escolhas

O comportamento digital dos viajantes também reflete nas decisões sobre hospedagem. Segundo a pesquisa do Sebrae, 77% utilizam o Instagram como principal plataforma para descobrir experiências, enquanto 56% recorrem a sites e aplicativos de agências de viagens on-line para reservas. A parcela mais significativa dos entrevistados (32%) gastou acima de R$ 5 mil na última viagem, com 70% utilizando cartão de crédito ou débito como forma de pagamento.

“O turista clássico, que seguia um roteiro fechado com lista de pontos turísticos, deu lugar a um viajante que quer sentir o destino, não só ver”, analisa Fê Moro. “Uma boa hospedagem hoje é aquela que entende que o espaço onde a gente dorme também pode ser um espaço de reconexão – com a natureza, com a cultura local e, muitas vezes, com a gente mesmo.”

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